“No pico das queimadas na Amazônia em 2023, houve um momento em que o céu ficou completamente escuro. Olhei para cima e me perguntei: ‘Ainda veremos o sol?’”, relata o cantor e compositor Leandro Serizo. A angústia provocada por esse cenário inspirou a criação do álbum SOL QUIMÉRICO, que será disponibilizado nas plataformas digitais no dia 30 de julho, sob a distribuição do selo Vinte7 Records.
O projeto é influenciado pelas crises e pelos caminhos que a sociedade atual está seguindo, apresentando uma narrativa que mescla realidade com ficção.
Com 13 faixas, SOL QUIMÉRICO abrange gêneros como rock progressivo, metal, MPB e R&B, além de incorporar elementos das tradições musicais afro-latinas e da região do Mediterrâneo oriental. As influências vão desde o compositor e pianista de jazz armênio Tigran Hamasyan até a banda System of a Down, incluindo também artistas como Chico Buarque e Dead Can Dance. Contudo, mais do que um mero exercício estilístico, a obra expressa uma mensagem política ao abordar questões como destruição ambiental, desumanização, conflitos bélicos e imperialismo.
Planejado como um álbum conceitual, cada faixa traz um visual distinto que se expande em fotos e vídeos. SOL QUIMÉRICO leva os ouvintes para o distante ano de 2222, onde uma distopia se revela através de letras que introduzem personagens e conflitos.
A narrativa por trás de SOL QUIMÉRICO
Dominada pelo império alienígena de Ciborgue Tyrannus, a imensa cidade de MΣGΛPΘLIS ecoa incessantemente uma mesma melodia robótica. Esse som repetitivo atua como uma droga sonora que transforma seus habitantes em zumbis sem sonhos. O sono, os sonhos e a imaginação não foram apenas suprimidos — foram eliminados. Assim, as composições de Serizo estabelecem um paralelo entre essa realidade opressiva e os desafios enfrentados atualmente.
À margem desse delírio tecnológico existe outro universo: o Abutre Estrelar, lar dos Abutrons — criaturas resultantes de experimentos genéticos que misturam humanos com abutres. Considerados aberrações pela sociedade, foram rejeitados e relegados ao esquecimento. No entanto, nesse exílio forçado, eles construíram sua própria identidade e cultura, adorando o Sol Quimérico — uma entidade que simboliza contradições como androginia e assexualidade. Para eles, o Sol representa resistência contra normas sociais tradicionais e a opressão do império. A história gira em torno dos protagonistas Kairo e Lórki — figuras opostas que se atraem e repelem — além da matriarca Maria Madama e um menino abandonado cuja fusão com uma besta resulta em uma força devoradora de mundos. Mergulhar na narrativa do álbum é explorar um conjunto diversificado de personagens que habitam essa interseção entre sagrado e caótico.
“Cada som serve quase como trilha sonora para um universo único. Isso não é por acaso: é fruto de muitas experiências auditivas, pesquisas profundas e paixões indissociáveis. (…) Utilizei ficção científica, mitologia e psicodelia para refletir sobre nosso presente. Falo sobre devastação ambiental, desumanização crescente, guerras políticas e imperialismo; mas também sobre amor, espiritualidade, resistência e o poder transformador da arte”, explica Leandro.
Gravado entre agosto de 2025 e maio de 2026 em Campinas/SP, todo o trabalho foi editado pelo artista. É importante ressaltar que o projeto conta com apoio do Governo Federal, Ministério da Cultura, Prefeitura de Campinas e Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) Campinas. Com produção assinada por Quico Dramma e Granadeiro Guimarães — este último também responsável pela mixagem — além da masterização feita por Otávio Vassão, SOL QUIMÉRICO é um projeto colaborativo significativo.
Explorando as faixas do álbum
A faixa de abertura PARADOXO DO FUTURO atua como um manifesto sonoro ao misturar rock com salsa cubana numa visão profética repleta de drones e referências às guerras contemporâneas.
Na sequência, G-HD retrata seres humanos mecanizados buscando transformação; enquanto MOSTEIRO DO ABISMO desacelera com uma atmosfera mística que evoca introspecção espiritual brasileira. ANDROIDE 2222 explora relações afetivas em meio a um contexto apocalíptico — mais próximo da ternura do que da tradicional canção romântica.
Um toque autobiográfico aparece em ABUTRE, inspirado na juventude de Leandro Serizo em sua busca pela liberdade; essa temática é reforçada pela colaboração com Cauãzin 019 e as origens periféricas dos artistas envolvidos. A canção SANTUÁRIO foi inicialmente composta para homenagear a mãe do cantor; ela se torna uma pausa emocional dentro da jornada do disco ao transformar cuidado em desejo de acolhimento.
MΣGΛPΘLIS apresenta-se como uma faixa teatral satírica influenciada por Fritz Lang e Chico Buarque; ela ironiza temas como alienação artística e os desafios enfrentados por criadores independentes. Em contraste explosivo, MARIAKLÖSE † (industrial machine) mergulha no universo cyberpunk ao transformar Maria Madama numa máquina poderosa; esta transformação provoca uma escalada entre devoção religiosa e colapso existencial.
A mitologia central do álbum ganha destaque em NO CORAÇÃO DO DRAGÃO ao incorporar elementos da música mediterrânea oriental através de escalas modais e ornamentações vocais singulares. Desse ambiente emerge CAVALEIRO NEGRO — figura situada entre mito e realidade — preparando o terreno para CIBORGUE TYRANNUS; este embate final contra o antagonista principal da narrativa tem influência das bandas Angra e Gamma Ray com participação poética de Miriam Silvestre abordando os conflitos envolvendo Israel contra Palestina e Irã.
O encerramento acontece com SOL QUIMÉRICO I e SOL QUIMÉRICO II transformando o álbum num louvor que evoca união entre carne, máquina e espírito.
Dessa forma, este álbum se consagra como o primeiro capítulo de um projeto transmídia que será expandido através de livro, quadrinhos e artes visuais, ampliando as inquietações futuras propostas por Leandro Serizo.
> Ouça o disco na sua plataforma favorita e acompanhe o músico nas redes sociais.
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