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Desafiando os Limites do Medo: Push torna-se difícil de defender

Canção PerfeitaCanção Perfeita—13 de março de 20260
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Eu sei: o terror é um gênero do corpo. Longe de mim ser o tipo de crítico deslumbrado que diminui recursos clássicos do gênero como o jumpscare (os famigerados sustos onde um elemento aparece do nada em tela) e exaltar apenas a existência do vilão-profundo-com-traumas que, capitaneado por uma hollywood que tenta parecer independente, parece ser o único tipo de filme aceito pelo público como algo profundo e elevado.

Entretanto, Push, escrito e dirigido por Justin Powell e David Charbonier, quase me transformou no tipo de cinéfilo que acredita e celebra a existência do pós-terror.

No limite do medo

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Push conta a história de Natalie (Alicia Sanz), uma corretora de imóveis que adota para si a difícil tarefa de vender um imóvel encalhado há anos devido à má fama do local, que foi palco de mortes e acidentes trágicos no passado. Natalie está grávida de oito meses de seu falecido noivo, Matt (David Alexander Flinn), que é apresentado logo ao início do longa por meio de um sonho/flashback que marca a primeira das inúmeras vezes em que o filme tenta assustar o espectador simplesmente por se tratar de um filme de terror, quase como se houvesse um número mínimo de sustos requeridos para que uma obra se encaixe no gênero.

O que se segue é um plano-sequência de vários minutos que consiste simplesmente em Natalie andando pela casa que pretende vender. A cena seria útil caso desse indícios de algo incomum no imóvel, ou pelo menos se o imóvel em si fosse de alguma forma digno de nota. Não é o caso: parecem ser apenas os diretores dizendo que sim, são capazes de filmar um plano-sequência que leva do nada a lugar algum. Para um filme de apenas 1 hora e meia de projeção, é incrível como Push parece se esforçar para rodar por tempo suficiente para que seja considerado um longa-metragem.

Após a longa introdução, uma conversa ao telefone entre Natalie e sua mãe serve para tentar estabelecer as motivações da personagem em tentar vender justo aquele imóvel, quando aparentemente não haveria nenhum motivo ou benefício para isso além de tentar se inserir em um filme de terror. A autoconsciência do roteiro transborda em tela: nada disso precisaria estar acontecendo, mas aí não teríamos um filme.

A ameaça principal se apresenta em seguida, na forma de um “cliente louco” (segundo a sinopse) que vai aterrorizar Natalie e seu filho pelos quartos da casa mal-assombrada até que a situação se resolva de uma forma ou de outra. Acredito que, nesse momento, o leitor já tenha preenchido todas as lacunas e saiba perfeitamente alguns dos percalços que Natalie enfrentará em sua jornada autoinfligida de final girl. Tão logo se inicia, o filme termina, deixando pouca ou nenhuma impressão em quem acabou de assisti-lo.

Nem tudo é cinismo

Para evitar que esse texto acabe da mesma forma, me permito terminar em uma nota positiva: clichês existem porque funcionam. Terror nenhum é mais ou menos elevado porque utiliza artifícios clássicos ou os ditos sofisticados, nem porque contém mais ou menos sustos por segundo.

O mais julgado dos gêneros cinematográficos não precisa se fantasiar de nada pretensamente cult para funcionar, e não é isso que eu estou defendendo neste texto. Afinal, quem nunca se viu absorto em um bom slasher, onde uma protagonista foge do seu algoz para no fim derrotá-lo de maneira inesperada e pouco provável, que atire a primeira pedra. Se esse é o seu tipo de filme, ótimo! É o meu também. Se você prefere um terror mais psicológico, perfeito! Eu também gosto.

Mas há bons e maus exemplos dentro de cada subgênero. Que possamos nos ater aos bons, ou pelo menos aos que se esforçam para ser.

cinemaCultura popFilmesno limite do medopushterror
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