Em São Paulo, o dia 25 de janeiro de 2026 marcou mais do que o aniversário de 472 anos da cidade. Para os fãs de hardcore, a data representava algo ainda mais significativo: o retorno dos californianos do Terror após sete anos de espera. A apresentação, iniciativa da NDP (New Direction Productions), comandada por Bruno “Feijão” Genaro, aconteceu no Fabrique Club.
Para completar o lineup de peso, Dognerve, Arize e One True Reason foram as bandas convidadas.
Representando o interior paulista, o Dognerve abriu a noite com uma abordagem pesada, direta e sem massagem. No repertório, músicas como “De Você Eu Não Quero Nada” e “Hardcore Estilo de Vida”, faixa em que o grupo homenageia e cita algumas de suas principais influências, como Sick of It All, Terror, Biohazard e Madball. Desta última, inclusive, veio um belo cover de “Set It Off”, um dos hinos do New York Hardcore. Durante toda a apresentação, o vocalista Bruno Cari buscou proximidade com a plateia, que respondeu cantando na beira do palco e movimentando o moshpit de um Fabrique Club que já começava a lotar.
Na sequência, foi a vez dos paulistanos do Arize subirem ao palco. Apesar de ter poucos anos de atividade, o grupo conta com veteranos da cena hardcore de São Paulo, entre eles o guitarrista Caio Turim, conhecido por sua trajetória em bandas como Clearview e Ponto Final. Mantendo a intensidade do evento, o quinteto apresentou faixas como “Here To Stay”, “One of Your Kind Is Way Too Many” e “Hate Is All We Have”, todas presentes no EP Here To Stay, único lançamento da banda até o momento.
Durante o show, o Arize avisou que aquela seria uma das poucas oportunidades de vê-los ao vivo em 2026, já que o foco do ano será a produção de um novo trabalho. Com letras que abordam superação pessoal, o grupo segue construindo seu caminho e ganhando destaque na cena. Vale ficar atento: o Arize ainda promete muito.
Dando sequência à noite, os veteranos do One True Reason assumiram o palco. Nome conhecido da cena paulistana, a banda apresentou um hardcore pesado, com forte influência de metal. A performance traduziu com precisão o espírito do gênero: conexão com o público, sing along, moshpits e respeito entre todos os presentes. No setlist, músicas como “Mad Dog” deram o tom da apresentação e reforçaram os motivos de sua trajetória sólida no hardcore nacional.
Além da performance energética, o One True Reason mostrou maturidade sonora e entrosamento ao longo do set, resultado de anos de estrada e participação ativa na construção da cena hardcore paulistana. Com uma base rítmica sólida e riffs precisos, a banda conseguiu equilibrar peso e agressividade sem abrir mão da coesão, mantendo o público engajado do início ao fim.
Stage dives… more stage dives!
Às 19h40 em ponto, finalmente o Terror entrou em cena. Antes mesmo do primeiro acorde, o público já se lançava em sequência nos stage dives, uma das marcas registradas das apresentações do grupo californiano – prática, inclusive, incentivada pelo vocalista Scott Vogel.
Sem conversas, o show começou com “One With the Underdogs”, clássico do álbum homônimo. Logo na faixa de abertura, ficou claro por que bandas estrangeiras de hardcore têm tanta afinidade com o público brasileiro: paixão e intensidade em níveis máximos, arrancando sorrisos constantes do frontman.
“Eu faço isso todas as noites. Agora é a vez de vocês. O microfone é de vocês: subam, cantem, se joguem”, incentivava Vogel. A resposta veio em forma de uma participação cada vez mais intensa, com fãs literalmente voando do palco.
A postura direta de Scott Vogel, sempre incitando o envolvimento do público, reforçou não apenas o caráter físico do show, mas também a força de uma mensagem que segue atual: união, resistência e identidade dentro da cena hardcore.
