Trazer a história de Michael Jackson para o cinema não é uma tarefa fácil. O peso associado ao nome, a magnitude de sua trajetória e as polêmicas que envolvem o artista tornavam o projeto arriscado desde seu anúncio. Antoine Fuqua, no entanto, compreendeu a responsabilidade que tinha em mãos.
A cinebiografia Michael, que chega aos cinemas nesta semana, retrata com respeito a figura do artista sem transformá-lo em um ícone perfeito. Com a colaboração do Espólio do cantor e de John Branca, ex-agente e atual presidente da The Michael Jackson Company, o filme narra a jornada de Michael desde seus primeiros passos com os Jackson 5 até sua decisão de seguir uma carreira solo após sua última turnê com os irmãos. A produção revela-se uma história de origens e finaliza os créditos indicando que uma sequência está por vir.
Jaafar Jackson: uma estreia impactante
Um dos principais fatores que faz Michael se destacar entre as recentes cinebiografias musicais é, sem dúvida, Jaafar Jackson. Sobrinho do icônico Rei do Pop e sem experiência prévia em atuação, Jaafar entrega uma performance impressionante. Não se trata apenas da notável semelhança física; existe um aspecto mais profundo que toca o espectador. Sua voz, gestos e danças transmitem a essência de Michael Jackson na tela.
Joe Jackson como elemento central da narrativa
Não há como elaborar um filme sobre Michael Jackson sem abordar a figura de Joseph Jackson. A interpretação de Colman Domingo é quase inquietante: ele retrata um pai que acreditava estar construindo algo grandioso enquanto prejudicava seu filho. Essa atuação intensa é crucial e representa a complexidade emocional da trajetória do protagonista.
Michael não busca contar toda a história de uma só vez, o que pode ser interpretado tanto como uma crítica quanto um elogio. A falta de personagens como Janet Jackson gera discussões, e as transições entre diferentes fases podem causar algum estranhamento. No entanto, o filme consegue conduzir a passagem do tempo com mais competência do que muitas obras desse tipo, contextualizando cada período sem se perder na narrativa.
Cenas marcantes com grandes clássicos como “Thriller”, “Beat It” e “Human Nature” são apresentadas como recriações vibrantes, fazendo o público se segurar nas poltronas para não levantar e dançar. A direção de arte, figurinos e trilha sonora criam uma imersão rara que poucos filmes conseguem manter por mais de duas horas.
Ainda que diversos momentos significativos da vida do cantor fiquem de fora e alguns considerem o filme “chapa branca”, temas como a infância marcada pela figura paterna autoritária, a busca incessante pela perfeição artística e estética, além da solidão enfrentada por quem vive sob os holofotes são tratados com delicadeza e complexidade. A cena do acidente durante o comercial da Pepsi serve como um simbolismo de transformação interna para o personagem.
É recomendável?
Michael não é isento de falhas; seu final apressado e algumas escolhas narrativas suscitarão debates futuros. Contudo, trata-se de um filme completo e emocionante, essencial tanto para os fãs quanto para aqueles que ainda não conhecem o legado do Rei do Pop.
Sair da sala de cinema sem sentir uma conexão mais profunda com a música e o legado deixado por Michael Jackson parece improvável. Este é apenas o início; resta aguardar ansiosamente pelas próximas novidades.
A partir desta semana, Michael está em cartaz nos cinemas brasileiros.
