Após quase uma década sem lançar um álbum completo, o Dinamite Club apresenta Cortisol, seu terceiro disco e o primeiro com a nova formação em trio, composta por Bruno Peras no vocal e baixo, Márcio Rodrigues na guitarra e vocais, e Jaime Xavier na bateria.
Este novo trabalho, que chega ao público por meio do recém-estabelecido selo Crocante Records, traz 10 faixas que foram compostas em um período marcado por luto, burnout, ansiedade, internação, pandemia, mudanças na formação da banda e isolamento social.
Desde sua fundação em 2010, o Dinamite Club se destacou no cenário independente brasileiro ao desenvolver uma identidade que mistura punk, pop punk e emo, caracterizada por refrões marcantes e letras que abordam questões do cotidiano emocional.
A trajetória da banda teve início com o lançamento de “Tiro & Queda” em 2013. Em seguida, o EP “Do Começo Não Dá Para Enxergar O Fim” foi lançado em 2016 e, em 2017, “Nós Somos Tudo o Que Temos” trouxe um novo impulso à carreira do grupo com apoio da gravadora Hearts Bleeds Blue. Durante esse período, a banda também teve a oportunidade de abrir shows para artistas como The Story So Far, Neck Deep e The Wonder Years.
Cortisol reflete as experiências vividas entre o segundo e o terceiro álbuns. A perda de Leon, membro fundador falecido em 2018, duas mudanças de formação e os efeitos profundos da pandemia moldaram este novo disco. Ao invés de seguir a linha mais otimista que ajudou a consolidar sua carreira até então, o trio apresenta um trabalho mais intenso e pesado tanto musicalmente quanto nas letras.
Para Márcio Rodrigues, a duração da banda se tornou uma forma de resistência. “Conciliar tempo e energia para manter uma banda ativa com as exigências da vida adulta é cada vez mais desafiador.”
Rodrigues também considera que esse contexto alterou a percepção sobre tudo que envolve o Dinamite Club. “Cada ensaio ou show se transforma em uma celebração rápida dentro de uma lógica mais ampla de resiliência necessária para sustentar uma banda.”
Essa visão é fundamental para entender o álbum. Segundo Márcio, ele representa uma liberação emocional acumulada e um reposicionamento da banda. “É um disco repleto de sentimentos intensos e energia.”
O guitarrista descreve a mudança estilística de forma direta: “Este é nosso álbum mais pesado até agora e suas letras são as mais confessionais.” Para ele, continuar utilizando uma perspectiva otimista após tudo que ocorreu teria soado falso. “Não poderíamos ignorar as dificuldades enfrentadas nesse período apenas para falar sobre coisas boas; isso seria desonesto.”
A arte da capa do álbum foi criada por Jaime Xavier e apresenta uma cabeça formada por comprimidos, simbolizando os desafios mentais enfrentados durante tempos difíceis como perdas pessoais, pandemia e tratamento terapêutico. “Não é possível ser positivo sempre; mas vamos nos esforçar para fazer o melhor com o que temos”, afirma Jaime no material promocional. Em um contexto onde capas feitas por inteligência artificial estão se tornando comuns, ele ressalta que essa arte foi desenhada à mão antes de ser digitalizada.
A produção do disco ficou a cargo de Ali Zaher Jr., baixista do CPM 22, que também cuidou da gravação, mixagem e masterização no Sunrise Studios. Além disso, Renan Sales da Metade de Mim participa da faixa “Hoje, Só Amanhã”.
Com Cortisol, o Dinamite Club aborda temas de superação e nostalgia indireta. Contudo, este álbum se destaca por não esconder os traumas relacionados ao desgaste emocional e às perdas enfrentadas. Ele retrata a realidade de seguir adiante quando a vida adulta impõe novas prioridades à saúde mental e ao tempo disponível.
O post Dinamite Club retorna com disco sobre desgaste emocional e desafios na vida adulta apareceu primeiro em Musicult – Música e cultura pop.
