Em um mundo de fantasia que remete à Idade Média, as mulheres se encontram sob um regime patriarcal severo, onde a pressão para engravidar logo após o casamento é intensa, e a falta de filhos pode resultar em pena de morte. Cherry (Maika Monroe), a protagonista de 100 Noites de Desejo, vive um matrimônio infeliz com Jerome (Amir El-Masry), que se recusa a consumar a relação, colocando em risco a vida da esposa.
Quando Jerome precisa se ausentar por um longo tempo, ele faz uma aposta com seu amigo Manfred (Nicholas Galitzine), um conquistador que terá cem dias para seduzir Cherry e engravidá-la. O principal obstáculo nessa missão é Hero (Emma Corrin), criada de Cherry, que detém um conhecimento secreto: a habilidade de contar histórias envolventes. À medida que as noites passam, o casal se vê cada vez mais distraído pelas narrativas de Hero, sem conseguir progredir na intimidade.
Essa premissa pode evocar lembranças de As Mil e Uma Noites, mas não se trata de uma inspiração direta. A obra dirigida por Julia Jackman é, na verdade, uma adaptação do livro As 100 Noites de Hero, escrito por Isabel Greenberg. Ambas as histórias compartilham uma temática central: o poder das narrativas como fábulas sobre desejo, emancipação feminina e questionamento das relações de poder.
100 Noites de Desejo se destaca como uma adaptação literária não necessariamente pela fidelidade à obra original — isso só poderá ser julgado por aqueles que conhecem o livro — mas pela estética encantadora e pela narrativa envolvente tanto da trama principal quanto das subtramas. Os cenários, figurinos e a cinematografia remetem à linguagem mágica dos contos de fadas.
A beleza estética do filme é um dos seus principais atributos, assim como o talento inegável do elenco. Contudo, é importante notar que o enredo tende a se tornar repetitivo e previsível no decorrer da narrativa, apesar das críticas pertinentes ao patriarcado e tentativas de surpreender o público.
Em síntese, Julia Jackman entrega uma bela homenagem à literatura e ao poder das histórias em 100 Noites de Desejo. A produção é visualmente impressionante e adequada em sua proposta política; no entanto, ela falha em transformar essa estética em uma experiência dramática igualmente impactante.
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