Após mais de dez anos marcados por transformações, paradas e reestruturações, a banda Trash No Star revela seu novo EP intitulado Existir é Resistir.
Este projeto apresenta sete canções que não apenas refletem a essência musical do grupo, mas também a vivência de continuar produzindo arte no cenário independente diante dos desafios diários.
Uma jornada de existência e resistência desde 2010
“Abaixo de qualquer estrutura/ estamos eu e você/ Tentando respirar/ Tentando sobreviver/ Sobre esse monte de nada”
Fragmento da canção que dá nome ao EP Existir é Resistir
Originada em 2010 na Baixada Fluminense (RJ), a Trash No Star foi formada pelo casal Letícia Lopes (guitarra e vocal) e Felipe Santos (guitarra e vocal), que já tinham uma trajetória musical juntos desde a adolescência. A banda desenvolveu sua identidade com influências do underground norte-americano do final dos anos 1980 e início dos anos 1990.
Com referências de artistas como Sonic Youth, Babes in Toyland, Mudhoney e Dinosaur Jr., o som da banda mescla punk, lo-fi, noise rock, guitarras distorcidas, microfonias e melodias marcantes. A Trash No Star explora composições pouco convencionais enquanto mantém uma abordagem DIY em suas gravações.
Atualmente, a formação inclui Letícia e Felipe ao lado de Hanna (baixo) e Bernardo (bateria). Hanna se juntou à banda após uma longa colaboração fora dos palcos, tornando-se uma parte essencial da trajetória que culmina neste lançamento.
Um aspecto significativo dessa história é a Motim, um espaço cultural fundado inicialmente por Letícia e posteriormente desenvolvido coletivamente com Hanna. Entre 2016 e abril de 2024, a Motim foi um ponto de encontro para shows e eventos que impulsionaram o protagonismo feminino e LGBT+ na cena independente do Rio de Janeiro, criando laços com artistas de todo o Brasil.
Durante quase oito anos, as atividades da Motim consumiram boa parte do tempo das integrantes. Entre compromissos profissionais, estudos, maternidade e os desafios diários para manter o espaço cultural em funcionamento, o EP lançado recentemente passou por várias interrupções até sua conclusão. Somente após o fechamento da casa foi possível dedicar-se totalmente à finalização do álbum.
Essa vivência se reflete nas letras das canções. As sete faixas discutem temas como opressão e sobrevivência, abordando a busca por espaço para amar, criar e sonhar frente às violências estruturais que afetam pessoas em situação de vulnerabilidade social.
“Breath, turn yourself in light/ Releaf from this battle fight/ Try to catch the sun/ Hold and then run”
Letra da música “Catch the sun”
O título do EP é fruto dessa experiência vivida. Existir é Resistir não traz uma mensagem simplista de otimismo ou romantiza a superação; pelo contrário, parte da ideia de que estar vivo, produzir arte e imaginar novas formas de existir é um ato inerente de resistência — mesmo quando desistir de certas escolhas se torna necessário para continuar sobrevivendo.
Além disso, o disco carrega importantes referências à história da banda. Safira, ex-integrante da Trash No Star, gravou todas as partes de bateria do EP, enquanto Eden, também ex-integrante, contribuiu com as guitarras na faixa “Medo”. A produção ficou a cargo do próprio grupo em parceria com Leo Moreira “Shogun”, que também cuidou da mixagem e masterização. As baterias foram registradas no estúdio Audio Rebel enquanto guitarras, baixos e vocais foram captados em um ambiente caseiro por Letícia para preservar o caráter íntimo e urgente deste trabalho DIY.
A capa do EP também contou com a colaboração de Hanna:
O lançamento é realizado pelo selo independente Efusiva, fundado por Letícia e Hanna em conjunto com a Alterego. Essa aliança destaca uma característica que tem estado presente desde o início da trajetória da Trash No Star: a criação de redes independentes baseadas em afeto, colaboração e circulação artística como alternativas às desigualdades na cena musical brasileira.
Mais do que apenas um novo álbum da Trash No Star, Existir é Resistir documenta uma narrativa construída ao longo de mais de quinze anos. Este disco transforma experiências como deslocamentos cotidianos, maternidade, trabalho incisivo e militância cultural em música, reafirmando que continuar criando diante das adversidades é também uma forma vital de resistência.
Relembre aqui o single “Bobagem” além do relançamento de Single Ladies pela Trash No Star.
O post Trash No Star transforma mais de uma década de resistência em “Existir é Resistir”, seu novo EP surgiu primeiro na Musicult – Música e cultura pop.
